A língua, expressão inteligível de
todo e qualquer pensamento, é plena de conceitos indefinidos e de significados
flutuantes... Perto, por exemplo: o que é perto?
A resposta depende... Perto a dois
passos, perto na casa ao lado, perto na cidade próxima, perto... Pq perto é
perto, independente da magnitude das escalas, é apenas um conceito subjetivo
cuja finalidade é dar-nos uma noção vaga de que algo esteja próximo.
Normal. O que é normal?
Normal, no dicionário, define-se como
algo corriqueiro, costumaz, algo que diverge do notável, do extraordinário.
Mas, em se tratando de normalidade... O que de fato é ANORMAL em um mundo em
que a grande, imensa, vasta maioria é portador de algum tipo de problema
relacionado à saúde mental? Em 2014, quantas são as pessoas de seu círculo de
relações que você pode afirmar que não sofrem de NENHUM tipo de distúrbio
associado à saúde mental? Em tempos de depressão, ansiedade, melancolia e de uma
vasta gama de outras nuances de maior ou menor potencial de devastação da
personalidade e do comportamento, quem dentre os seus amigos e familiares pode
ser declarado um ser NORMAL?
Ok! Os mais céticos devem ter
encontrado uns dois, talvez três amigos e familiares que nunca deram
demonstração de qualquer tipo de perturbação mental. Sim, compreendo... Mas se
em todo o seu universo de conhecidos, amigos, colegas e familiares apenas duas
ou três pessoas são dignas de serem declaradas imunes a esse tipo de
“problemas” quem serão os normais? Esta minoria de uns dois ou três, ou a
grande maioria, que lota as ruas de uma gama incontável de perturbações e
combinações das mais diversas patologias neuropsíquicas?
Está difícil responder? Então
repense... Tabagismo, alcoolismo, melancolia, drogadição, depressão, ansiedade,
narcisismo, anorexia, bulimia, compulsão, fobia, autopunição, auto sabotagem,
automutilação, bipolaridade... Todas estas coisas estão relacionadas a
problemas inerentes à saúde mental... Então... Você de fato conhece alguém
NORMAL?
A intenção do nosso trabalho é
resgatar através do entendimento das diversas variáveis (desta infinda gama de
possíveis “anormalidades”) uma melhoria na qualidade de vida tanto do portador
da patologia, quanto do núcleo familiar em que este se insere. Pq em se
compreendendo a patologia e suas manifestações, há de se encontrar um melhor
meio de lidar com ela e, quem sabe, um dia podermos nos admitir parte de uma
imensa maioria que vive todo dia o inimaginável mundo da real normalidade,
afinal, de perto NINGUÉM é normal!
O material que aqui começa a ser
organizado é o resultado de alguns anos de trabalho focado em três microcosmos
(fibromialgia e dor crônica - Fundação Vida sem Dor; Transtorno de
Personalidade Borderline – BorderlineGirl e Fundação TRAS Equilíbrio; e, por
último e não menos importante, De pendência Emocional – Amor sem Dor e AMA)
pertencentes a esta dimensão e que acabam convergindo aqui na intenção de
ampliar ainda mais a abrangência e o conteúdo alcançado.
Seja bem vindo nesta jornada em busca
da compreensão da NORMALIDADE deste nosso mundo A-NORMAL.
Paula Sophia Ávila

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