segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Das razões de me assumir a-normal

A língua, expressão inteligível de todo e qualquer pensamento, é plena de conceitos indefinidos e de significados flutuantes... Perto, por exemplo: o que é perto?
A resposta depende... Perto a dois passos, perto na casa ao lado, perto na cidade próxima, perto... Pq perto é perto, independente da magnitude das escalas, é apenas um conceito subjetivo cuja finalidade é dar-nos uma noção vaga de que algo esteja próximo.
Normal. O que é normal?
Normal, no dicionário, define-se como algo corriqueiro, costumaz, algo que diverge do notável, do extraordinário. Mas, em se tratando de normalidade... O que de fato é ANORMAL em um mundo em que a grande, imensa, vasta maioria é portador de algum tipo de problema relacionado à saúde mental? Em 2014, quantas são as pessoas de seu círculo de relações que você pode afirmar que não sofrem de NENHUM tipo de distúrbio associado à saúde mental? Em tempos de depressão, ansiedade, melancolia e de uma vasta gama de outras nuances de maior ou menor potencial de devastação da personalidade e do comportamento, quem dentre os seus amigos e familiares pode ser declarado um ser NORMAL?
Ok! Os mais céticos devem ter encontrado uns dois, talvez três amigos e familiares que nunca deram demonstração de qualquer tipo de perturbação mental. Sim, compreendo... Mas se em todo o seu universo de conhecidos, amigos, colegas e familiares apenas duas ou três pessoas são dignas de serem declaradas imunes a esse tipo de “problemas” quem serão os normais? Esta minoria de uns dois ou três, ou a grande maioria, que lota as ruas de uma gama incontável de perturbações e combinações das mais diversas patologias neuropsíquicas?
Está difícil responder? Então repense... Tabagismo, alcoolismo, melancolia, drogadição, depressão, ansiedade, narcisismo, anorexia, bulimia, compulsão, fobia, autopunição, auto sabotagem, automutilação, bipolaridade... Todas estas coisas estão relacionadas a problemas inerentes à saúde mental... Então... Você de fato conhece alguém NORMAL?

A intenção do nosso trabalho é resgatar através do entendimento das diversas variáveis (desta infinda gama de possíveis “anormalidades”) uma melhoria na qualidade de vida tanto do portador da patologia, quanto do núcleo familiar em que este se insere. Pq em se compreendendo a patologia e suas manifestações, há de se encontrar um melhor meio de lidar com ela e, quem sabe, um dia podermos nos admitir parte de uma imensa maioria que vive todo dia o inimaginável mundo da real normalidade, afinal, de perto NINGUÉM é normal!


O material que aqui começa a ser organizado é o resultado de alguns anos de trabalho focado em três microcosmos (fibromialgia e dor crônica - Fundação Vida sem Dor; Transtorno de Personalidade Borderline – BorderlineGirl e Fundação TRAS Equilíbrio; e, por último e não menos importante, De pendência Emocional – Amor sem Dor e AMA) pertencentes a esta dimensão e que acabam convergindo aqui na intenção de ampliar ainda mais a abrangência e o conteúdo alcançado.
Seja bem vindo nesta jornada em busca da compreensão da NORMALIDADE deste nosso mundo A-NORMAL.

Paula Sophia Ávila

Fundação Vida sem Dor 

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